Uni Escolas Cinema,
Projeto de Extensão Cineclubista *
Pesquisa e Educação Audiovisual * Cineclubismo em Universidades, Escolas e Comunidades * Produção de Cinema e Vídeos * Mini-cursos, Oficinas e Mostras não competitivas * Fóruns, Congressos e Jornadas de Cinema e de Cineclubes * Estudos Estéticos e Protagonismo Juvenil de Povos Tradicionais Amazônicos * Estudos Antropológicos no Brasil e Europa, com foco na Mobilidade Transnacional e Cidadania.
Racismo institucionalizado, cultura em processo de extinção e resistência identitária são alguns conteúdos marcados no filme 'A Vedação',
do diretor Phillip Noyce
A disciplina é 'Desigualdades e Cidadania' e os conteúdos passam pelas questões da pobreza, conflitos étnicos e afirmação de identidades dos povos. Passamos pelo México (S. Frias: 2013), depois os Estados Unidos da América; seguimos para os povos da África com algumas inserções na Europa, e chegamos no continente australiano com os Aborígenes, um povo que ainda luta pela afirmação de sua cultura e identidade.
Filme A Vedação, apresentado na disciplina Desigualdade e Cidadania, ministrada pela Profª Drª Susana Garcia no Curso de Doutoramento em Antropologia da Universidade Técnica de Lisboa
Como estudante de antropologia do Instituto Superior de Ciências Sociais
e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa e apaixonado pelo "cinema
que nos faz pensar", trago à tona uma recorrente situação que muito tem
preocupado pesquisadores e cidadãos sobre as questões do racismo,
apresentadas no filme A Vedação, do diretor Phillip Noyce, baeado na
história real da aborígene Molly e sua irmã Dayse, mais a prima Grace.
Aqui não há espaço para a apologias da cor, nem tão pouco abro espaço
para a palavra 'raça', porque ela não existe como categoria
antropológica, embora seja compreendida e atribuída às pessoas, no senso
comum, como definição dessa ou daquela 'raça'.
A sessão era exclusiva, somente para nós alunos do doutoramento sentados
em uma enorme e confortável sala de projeção; lamentei a ausência de
uma platéia lotada para depois discutirmos as abordagens da película de
90 minutos. E me lembrei do 'A Cor púrpura', do 'Tomates verdes e
fritos' e tantos outros filmes que valeram como escola e público
crítico. E agora A Vedação assistido com outro olhar, com outro foco,
porque agora há um planejamento sistemático pra cumprir um programa, ao
mesmo tempo que 'obriga' a criar conteúdos, liberta-me da obrigação de
ser apenas um público contemplador. Valho-me da palavra contemplação
neste pequeno texto para reportar-me a ela novamente em sentido mais
amplo, quando apenas contemplamos as problemáticas de nossos semelhantes
seres humanos, a raça humana, inigualável, e nada fazemos para
ajudá-los.
As nações fecham-se em fronteiras, com enormes e gigantescas 'vedações'
para não deixar entrar as ameaças que vem do território do vizinho ao
lado, de quem está de fora [a culpa sempre é do outro], ao mesmo tempo
não deixar fugir 'os coelhos' que somos, presos às leis que nos limita a
liberdade de ser, de ir e vir, sem tempo e nem data, parindo e
procriando todos os dias, promovendo, em muitas vezes, explosão
demográfica e suas consequências sem planejamento urbano, o caos na
população sem competências para se autodisciplinar e viver sem
conflitos, sem desconfiança, uma utopia na busca de uma distopia
foucoultiana.
E como se não bastasse, o exercício de domínio dos latifúndios
nacionalistas em tempos de guerras, pra não dizer nações invasoras, como
demosntração de poder, roubam a 'galinha do vizinho' e põem a culpa na
raposa para eximírem-se da responsabilidade ética e étnica de suas ações
xenofóbicas do espelho, e se fazem 'superiores' porque chegaram na
frente na [in]diferente corrida às novas formas de costumes e novas
tecnologias; esqueceram que outras formas de civilização que não estão
'nem aí' pra toda essa dita modernidade, e são tratadas como 'menores',
com valores menores, tudo a menor, como fato recortado no filme 'A
Vedação'.
A mente dominadora do homem dominador não consegue pensar como a mente
de quem é dominado ou se deixa dominar, mas também não alcança a
dimensão de sua fragilidade de pensar o quão é pequena e restrita quando
se trata de valores e direitos humanos; o seu macro universo, ainda que
vazio, é rígido, comparado a um grande quadrado de ferro onde ela mesma
[a mente dominadora] não consegue libertar-se de seu próprio domínio,
prefere oxidar mergulhada na sua soberba e vaidade, na sua realeza,
ainda que não tenha. No filme, a recusa de Molley em ser moldada pela
'elite dominante' é um exemplo de 'ácido sulfúrico' a ser jogado nessa
estrutura oxidante de quem pensa ser 'superior'.
Historicamente, a humanidade nos reporta às monarquias e czarismos com
seus regimes de conquista e domínio, e nessa trajetória, muitos povos
foram dizimados, massacrados e, aos que restaram, dominados. Entre
tantos, os aborígenes na Austrália, habitantes primitivos do
continente Australiano, com resquícios no Canadá, com risco de extinção, sofreram ações de
extermínio por décadas. Reportando-me ao filme, o que se sabe, desde 1886 as mulheres aborígenes eram
subtraídas à força de seus grupos para não procriarem com seus pares
semelhantes, não amarem, e isoladas em colônias religiosas,
[des]"educadas" na cultura branca dominante e entregues às famílias como
escravas domésticas, uma tentativa de embranquecimento da população. Uma espécie de laboratório com projeto financiado pelo governo. A história é real e é contada na voz da protagonista, já idosa.
Doris Pilkington resgistrou a história de vida da Aborígene Molley em
livro, que se transformou em roteiro por Cristine Olsen, agora o filme
que vos apresento. A direção é impecável e não é à toa que o dretor
arrancou prêmios dos principais festivais de cinema do mundo como "Melhor
Realizador".
Sobre o filme, durante a assistência, é difícil deixar de prestar a
atenção na técnica de linguagem e narrativa, na fotografia com seus
deslizes de 'halo' [raios de sol na lente], mas com brilhantes planos
zenitais, dois, e de afastamento, demonstrando por vários momentos a
solidão das perssonagens em meio aos seus desertos.
Sobre as personagens das meninas, vejo a mão do talentoso diretor nos
ensaios das pequenas atrizes, talvez iniciantes, que souberam convencer a
platéia na realidade dramática de suas histórias. Um filme terno e
dramático que surpreende do início ao fim com poucos recursos cênicos.
Eu disse poucos, porém muito ricos!
Universidade, Escolas e Comunidades se aproximam em mais uma sessão do Cineclube Pacamão, espaço criado pelo Projeto de Extensão Acadêmica da UEPA Campus Vigia para promoção da Educação Audiovisual e suas implicações socioeducacionais e culturais.
Educadores e educandos da Universidade do Estado do Pará e Escolas Públicas, juntos com as Comunidades da cidade de Vigia de Nazaré se mobilizam para assistirem ao filme Gênio Indomável, dirigido por Gus Van Sant, lançado em 1997, com os conhecidos atores Robin Williams e Matt Damon.
Muito bem escolhido pela equipe do Cine Pacamão, o filme traz à borla grandes temas que provocam discussões acadêmicas e em rodas de conversas, como a genialidade de um jovem e sua capacidade de operá-la [a genialidade] no cotidiano da vida. Traz o filme também a clareza de separar genialidade de conhecimento, bem como as possíveis intervenções de orientação na descoberta de grandes pensadores em busca de oportunidades.
Não somente a matemática é alvo deste filme, mas sua abrangência no campo da cognição e percepção do ser aprendiz, quando gênio descoberto, muitas vezes não sabe lidar com suas próprias emoções, e outros fatores entram a reboque como a psicanalise e estudos correlatos.
Segundo o professor Leandro Alcerito, do colégio Vértice de São Paulo, referindo-se ao filme, diz: "Conhecimento não é tudo. O protagonista é muito bom em matemática, mas em
termos emocionais é uma criança de cinco anos. É muito legal perceber
como a genialidade não é sinônimo de sucesso. Também é interessante
mostrar o intelecto como uma forma de dar valor à sua vida, ao
bem-estar. Ele é o típico aluno que pode decorar Shakespeare, mas nunca o
sentiu."
Para o Professor de arte, filosofia e sociologia Zilton Salgado: "Perceber como o saber construído pode servir de metáfora, as resoluções
dos problemas matemáticos são apresentadas como soluções para problemas
da vida, o que às vezes podem ser aplicadas em sala de aula."
É o cinema em favor da educação; é o Uni Escolas Cinema cumprindo seu papel social em parceria com a Universidade do Estado do Pará, Professores e alunos, escolas e comunidades.
Parabéns aos amigos do Cine Pacamão, aos Professores Elielson Figueiredo, Damásia Nascimento, alunos e professores das escolas públicas, Coordenação do Campus universitário de Vigia!
Com data de lançamento a ser definida ainda neste semestre, a convite da Professora e Pesquisadora Sônia Frias, o filme foi apresentado, neste dia 30 de abril, à turma de antropologia da Universidade em aula aberta pelo Professor e realizador Darcel Andrade, para perceber as primeras impressões de uma platéia acadêmica e verificar como o filme pode ser abordado em sala de aula, seus conteúdos geradores e transversais.
No roteiro, o pesquisador ouviu vozes de atores sociais imigrantes de Cabo Verde, Moçambique, Brasil, Angola, Índia, China, Judeus, bem como portugueses com tradições ciganas e de 'origens transnacionais'; pesquisadores de diversas áreas das ciências sociais e políticas também foram ouvidos e formaram um mosaico de conteúdos em contraponto, deixando o filme mais rico e ritmado em sua narrativa.
A produção é do Uni Escolas Cinema, Projeto de Educação Audiovisual do qual Darcel Andrade é diretor e idealizador, e que leva o cinema independente às salas de aulas das universidades, escolas e comunidades em sessões cineclubistas. Após a sessão, o interesse pelo assunto gerou conteúdos pela percepção e abordagens dos presentes, dando a entender que é possível trabalhar o cinema em sala de aula, com planejamento e debate dos assuntos pertinentes à disciplina em questão. Foto: Uni Escolas Cinema
'O Novo Paradigma Migratório dos Espaços de Trânsito Africanos'
O livro traz à tona o fenômeno da migração e as construções identitárias, dos ideários de desenvlvimento econômico e da própria formulação das politicas migratórias ainda em fase embrionária. O locus escolhido é o arquipélogo de Cabo Verde, apresentado como "um nódulo no sistema migratório global", segundo o autor. Após o epsódio de 11 de setembro, as ações de governo alteraram significativamente o controle das fronteiras europeias e norte-americanas, afetando as possibilidades migratórias dos caboverdeanos, objeto deste estudo.
Com base nessa experiência, o pesquisador confirma a este colega e pesquisador a produção de um documentário, já em desenvolvimento, sobre a cultura das metrópoles africanas, na oportunidade em que ele percorre vários países e amplia seus estudos nos espaços transnacionais daquele continente.
Durante sua exposição, estiveram presentes os Professores Maria João Militão, Marcio Freire e o pesquisador Darcel Andrade, todos do ISCSP.
Foto: Pedro F. Marcelino e Darcel Andrade para o Uni Escolas Cinema
O discurso está do lado DE FORA do sistema, da escola e da sociedade. Jovens moradores de rua, em situação de risco, encontram dificuldades para voltar à Escola, principalmente ao seio da família. Os filósofos Benedito Nunes e Ivanilde Apoluceno apontam alguns caminhos. O vídeo foi selecionado como semifinalista do Festival Curtíssimametragem Claro na categoria "cineclubismo", com produção do Projeto de Extensão Cineclubista Uni Escola Cinema, da Universidade do Estado do Pará - Campus Vigia.
O Uni Escolas Cinema entende que o cinema busca em sua estrutura a composição de imagens, basicamente da fotografia, e esta da pintura como construto epistemológico. Ao visualizar os quadros de João Bello, como aprendiz contemplador, reporto-me aos tempos de minha formação acadêmica, que, nem de longe, passava perto do domínio da figura humana como este pintor. Limitava-me às naturezas mortas e outros compositivos das artes plásticas na busca de traços nas esculturas, xilogravuras, desenhos em bico de pena, pastel, e arriscava uma aquarela, chegando às tintas acrílicas na revolução da tinta à óleo; por vezes uma fotografia aqui e ali, mas sempre ligado ao que produzia e favorecia a minha inserção nessa odisséia de ser um 'artista plástico'.
O meu trabalho de conclusão de curso na Universidade foi uma leitura em vídeo de um escultor famoso em Belém do Pará, talvez do Brasil, chamado João Pinto. Conheci João nas vernissagens e coletivas que eu mesmo realizava, muitas vezes o convidava como carro-chefe de uma turma de artistas iniciantes, e que hoje fazem-se famosos aqui e ali nas raras exposições que realizam. Não digo nomes, muitos são meus amigos.
Penso que minha inserção no cinema ou a minha paixão por ele começou dessa ousadia. Sim, fazer um vídeo ao final da década de 80 no Brasil, no norte do país, era coisa de louco, sem dinheiro e sem estrutura tecnológica, apenas a vontade de fazer. Antes, durante o curso, realizei um vídeo bem amador sobre a produção de cerâmica marajoara de Icoaraci, grande Belém, desde a retirada do barro/argila na beira do rio, até a peça feita e decorada para comercialização, produto de renda para os artesãos daquela localidade. Esse trabalho ficou sendo reprisado nas aulas de minha professora de cerâmica em outras turmas seguintes e, acreditem, não tirei uma cópia para mim.
Na TV Cultura do Pará fui convidado a produzir e dirigir um vídeo institucional dos 50 anos da presença da Força Aérea Brasileira na Amazônia, resgatando as reportagens do lendário programa Amaral Neto e os históricos aviões Catalinas que ajudavam a 'integrar' a Amazônia; e tive dois aviões Bandeirantes cedidos pelo comando da Aeronáutica para produzir imagens com a 'minha' suposta equipe de televisão, pilotos e mecânicos de vôo. Na verdade eles [da TV] tinham interesse na matéria e nos aviões voando para fazerem tomadas aéreas. Uma troca quase justa. Eu era da Força Aérea Brasilera!
No vídeo do escultor João Pinto fui menos bobo, guardei um exemplar em fita VHS de baixa qualidade; talvez seja o único material gravado deste escultor, que faleceu meses após eu fazer as gravações em seu quintal, onde realizava seu processo de criação das esculturas de mulheres gordinhas em alumínio maciço, técnica rara e artesanal. Ele cavava buracos na terra como espaço do forno, onde jogava o alumínio derretido em 'forma perdida' [quem conhece sabe o que estou a falar]. João Pinto tem peças espalhadas pelo mundo, talvez mais conhecido aqui fora do que em sua terra natal. Em outro momento posso discorrer sobre esse grande artista.
E o cinema? Ah, o cinema! Esse foi me tomando conta sem que eu percebesse, e já nem era mais um cotemplador contumás. Vi-me a ler guiãos, Doc Comparato, Syd Field e outros roteiristas, acompanhei o movimento e o resgate do ciclo de cinema da nova escola de Recife, e lá entrei na Universidade para fazer extensão em roteiros cinematográficos com o Professor Nelson Simas na TV Universitária, este, com formação européia da escola neorealista italiana. Enquanto o Brasil atravessava a crise cultural no governo Collor, assisti Fellini, Kurossawa, Truffaut, David Linch... que me perdia; e Carla Camurati carregava uma cópia de seu 'Carlota Joaquina' debaixo do braço para exibi-lo nas salas de projeção. Veio o 'dogma 95, uma revolução com o cinema com câmera de vídeo digital e, ao mesmo tempo, uma polêmica.
Cheguei aos diretores Camilo Cavalcanti [O velho, o mar e o lago], Sandra Ribeiro ['A Partida' e 'Oi, d'eu sodade'], conheci Claudio Assis ['Texas Hotel' e 'Amarelo Manga'], Kátia Mesel [O Recife de dentro pra fora] filme baseado no Romance 'Cão sem plumas' de João cabral de Melo Neto. Entre esses diretores fiz direção de arte para seus filmes; conheci técnicos e diretores de fotografia com quem partilhei o set de filmagem entregando-lhes os cenários, objetos de cena, volumes de cena e alguns atores ensaiados e maquiados com seus figurinos, quando o diretor pedia. Nesse contexto tive uma grande escola com os premiados fotógrafos Jorge Monclar e Mauro Pinheiro.
Na sequência, deparei-me fazendo ponte aérea Recife - São Paulo para realizar cursos técnicos de cinema, vários, pela Stain Produções em parceria com a Quanta Produções. Eduardo Aguillar, Kátia Coelho, Augusto de Blasis, Alziro Barbosa e outros foram os meus mestres; junto com eles os amigos Miguel Rodrigues [Studio Take a Take TV e Cinema] e Fábio Barreto [O Quatrilho], com Walter Lima [A ostra e o vento] fiz 'Direção e interpreação', com o Argentino Fernando Solanas [A nuvem] fiz Direção e Produção. Uma 'escola de bamba' do cinema brasileiro que se firmava e se firma até hoje, com profissionais apaixonados pelo que fazem.
Muitas coisas marcaram essa minha trajetória, e, uma delas, as aulas de Fotografia de Cinema com Alziro Barbosa [mestrado em cinema na Russia] iniciavam com quadros de pintores famosos, das escolas clássicas, renascentistas, românticas e modernas da pintura mundial. Era um show de imagens, cores, formas e de elementos visuais estéticos voltados para o ecrã de uma câmera enquanto plano, narrativa e linguagem.
Olha só, João Bello, o que você fez em minha memória. Como diz o saudoso Paulo Autran: "acho que tô ficando velho!" [Risos]